quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Portugueses no Holocausto - uma exposição no CCB

"Trabalhadores Forçados Portugueses no IIIº Reich - memória, responsabilidade, futuro" é o título de uma exposição que está no CCB (sala no 1º andar da entrada sul) e pode ser visitada até 22 de Janeiro de 2018.

A exposição e os vários materiais aí revelados tem por base um trabalho de investigação académico, pioneiro, liderado pelo professor Fernando Rosas, realizado pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, com base numa equipa de cinco investigadores, entre eles a torriense Cristina Clímaco.

A exposição revela o uso de trabalhadores forçados para apoiar a economia nazi, não só no esforço militar, mas também por muitas empresa alemãs, alguma ainda existentes.

Entre esses trabalhadores estiveram muitos portugueses e este é o tema fulcral desta exposição, que enquadra a situação destes no contexto da 2ª Guerra.

Embora nem todos os trabalhadores portugueses fossem forçados, muitos acabaram no esquema do trabalho forçado, que usava a rede de mais de 40 mil campos de concentração existentes na "grande Alemanha" como base de recrutamento.

Embora nem todos esses campos fossem campos de extermínio, sabe-se que cerca de 70 portugueses viveram, e muitos morreram, nestes campos.

Esta exposição procura assim homenagear os muitos portugueses que viveram o terror nazi.

A revista Visão História editou um número especial dedicado a esta exposição e que é um excelente auxiliar para acompanhar a visita.

Aqui deixamos algumas imagens dessa exposição.



































quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Honestidade e solidariedade …duas coisas “raríssimas”!


Começo com uma pergunta:

Alguém conhece uma Associação privada de Solidariedade Social que pague aos seus dirigentes um ordenado de três mil euros e outro tanto de ajudas de custo, e que pague a um consultor 63 mil euros anuais pela colaboração?

Eu pensava que ninguém conhecia, nem havia disso em instituições privadas, financiadas pelo Estado, principalmente quando essas instituições dizem ter um carácter solidário e caritativo.

Agora fico a saber que existe uma Instituição que pagava aqueles valores à sua directora, Paulo Brito Costa, e a um consultor, que era, “por acaso” o demitido secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado e, ainda por cima, a primeira usava muito do dinheiro dessa Instituição em proveito pessoal e o segundo usava o seu poder para dar a essa Instituição e à sua mentora privilégios que não estão acessíveis à maior parte das instituições do mesmo género, muitas delas lutando pela sobrevivência diária.

E, o que é mais grave, é que desconfio que este caso não será o único!

E já agora, como é que gente tão bem relacionada no meio, desde o actual Presidente da República ao actual Ministro da Solidariedade Social, passando por Leonor Beleza e Maria de Belém, desempenhavam funções e colaboravam com aquela Insituição e nunca deram por nada???

Penso que, se se puxar o fio à meada, muita àgua vai correr, e é toda uma geração de políticos, economistas, gente do “jet-set”, interesses farmacêuticos e financeiros, que nos conduziu ao descalabro dos últimos vinte anos, que terá de prestar contas, indo fazer companhia a Sócrates, Delgados, Duarte Limas , e a “tecoformicos” vários…

Se houver coragem é o fim definitivo do “centrão!

Os anos de Sócrates e da Troika, mais a propaganda neoliberal do “menos Estado e mais negócios”,  criaram uma situação onde a honestidade, a verdadeira solidariedade e o respeito pelos mais fracos se tornaram…uma coisa RARÍSSIMA!!!


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lu Nan, o fotógrafo da China esquecida

Lu Nan, fotógrafo chinês da
Magnum (ver AQUI) , pode ser descoberto agora em Lisboa. No Museu Berardo,  em Lisboa, até 14 de Janeiro (ver mais clicando em cima).

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A “Minha Vida” com Os Xutos e Pontapés..


Acompanhei o percurso dos Xutos desde os primeiros tempos.

Ainda me lembro de, para grande pena minha, não ter na altura  dinheiro para os ver, ainda uns quase ilustres desconhecidos, no “Casino” de Santa Cruz, num verão lá para os finais da década de 70 (provavelmente em 1979, já que esse foi o ano oficial da sua fundação).

Actuavam juntamente com outro grupo da época, os “Minas de Armadilhas”, na altura os seus principais rivais no panorama “punk” nacional.

Apesar de não ter podido assistir a esse concerto, que foi um dos primeiros dos Xutos ao vivo, a frustração de não os ter podido ver foi compensada pelo reencontro, nas ruas de Santa Cruz, de um amigo, o Rui do D. Pedro V, (não me recordo do apelido, mas vivia na Avenida de Roma e depois, com os anos perdi-o de vista…até hoje), que era menager de um desses grupos (fiquei com a idéia que era dos Xutos, mas talvez fosse dos Minas e Armadilhas !!??).

A partir de aí fui seguindo a carreira do grupo, bastante inovador, com letras que retratavam bem uma juventude suburbana e a irreverência punk, acabando por desembocar no sempre eterno rock and roll.

Não sei nomear todos os espectáculos dos Xutos a que assisti posteriormente, geralmente em festivais, sem esquecer a sua presença sempre habitual nos palcos das festas do Avante.

Recordo-me, contudo, de uma passagem de ano, penso que a de 1980 para 1981, no antigo refeitório da Cidade Universitária, onde os Xutos eram a banda principal, mas que tiveram de interromper abruptamente a sua actuação, não sei se ainda antes da hora da passagem de ano, e todo o pessoal foi evacuado do pavilhão, porque alguém de ente o público tinha sido esfaqueado, num ambiente “normal” entre a geração punk .

Entretanto ,vi-os pela última vez no Rock in Rio de 2012, já a banda consagrada dos nosso dias, numa actuação que quase fez esquecer os grandes nomes que já por ali tinham passado nesse dia (os Kaiser Chiefs e os James) e o que actuou a seguir a eles , o grande Bruce Springteen…

Estou convencido que, apesar do desaparecimento trágico do Zé Pedro, a banda tem todas as condições para continuar por muitos e mais anos.

Como alguém dizia, os Xutos são um daqueles grupos com quem mais de 90% dos portugueses se cruzaram, pelo menos uma vez na vida, num qualquer espectáculo ao vivo e para quem qualquer tema seu é um tema da nossa vida.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Dijsselbloem em cartoon´s - uma figura que só deixa saudades aos cartoonistas

O Homem que liderou de forma desastrosa o Eurogrupo, tendo contribuído para aumentar as divisões e as desigualdades entre os Europeus, vai finalmente sair de cena no próximo dia 13 de Janeiro.

Os holandeses já correram com esse racista  há muito tempo.

Por cá não deixa saudades e representou o pior que existe entre os burocratas de Bruxelas.

É caso para dizer..."adeus, até nunca mais".

Aqui se recorda a sua "acção", que quase conduziu à destruição do euro e da Europa e que tanto sofrimento causou em Portugal , numa recolha de cartoon´s, que retratam bem essa tenebrosa figurinha: 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

NOS ÚLTIMOS DIAS DA UNIÃO SOVIÉTICA – 5 (conclusão)– (Agosto de 1991) Regresso a Moscovo .


Chegámos a Moscovo por volta da 7.30 do dia 3 de Agosto de 1991.

Voltámos ao hotel “Saliut” (Fogo de Artifício). Depois do pequeno-almoço, voltámos à Praça Vermelha.


O ambiente em Moscovo pareceu-me mais alegre, menos frio e triste do que na semana passada, Talvez seja do sol e do calor de Verão que se faz sentir.

Também me parecia haver mais gente nas ruas e maior variedade e quantidade de produtos à venda. Será porque é principio do mês e de férias? Ou será que já nos habituámos ao ritmo de vida soviético?

Dei uma volta pelos “armazéns do povo”, o GUM. Havia segurança reforçada, provavelmente por causa da visita de George Bush. Cruzamo-nos com grandes grupos de turistas espanhóis.

Na Praça Vermelha passou por mim um grupo de indivíduos bem vestidos, a serem filmados e das entrevistas à televisão. A figura em destaque no grupo pareceu-me o Boris Ieltsin, presidente da República soviética da Rússia, mas não tenho a certeza. Tentei indagar junto de um dos elementos da comitiva, mas este olhou para mim com se tivesse visto um extraterrestre e continuou o seu caminho.

Muitos noivos recém casados escolhem a Praça Vermelha para as fotografias.

No centro da Praça existe um murete circular, onde eram decapitados os inimigos dos czares. Hoje as pessoas atiram moedas da o interior do murete e fazem um desejo.

De vez em quando ouvem-se os apitos da policia a abrir alas para deixar passar carros topo de gama em alta velocidade que entram para lá dos muros do Kremlin.

Regressamos ao hotel para almoçar. Eu vim carregado com um saco cheio de bonitos crachats, com símbolos soviéticos e outros motivos menos políticos.

 Custou-me tudo, no GUM, cerca de 60 rublos, uns 300 escudos [hoje pouco mais de uns euros].

À tarde fomos visitar o Museu de Arte Pushkin, com uma colecção de arte temporariamente bastante abrangente, da arte Suméria aos Impressionistas europeus.

Uma sala reproduzia em tamanho natural vários monumentos e  objectos de arte da Suméria, do Egipto, da  Grécia, …até ao renascimento Italiano, tudo com uma preocupação didáctica.

Tinha muitos outros objectos, este originais, de arte egipcia, incluindo múmias e sarcófagos.

Uma sala exibia uma variada e valiosa colecção de pintura russa.

Mas o que mais me entusiasmou foi a sala com originais da pintura vanguardista europeia, do final do século XIX ao principio do século XX: Cezanne, Gauguin, Kadinsky, Matisse, Picasso, Paul Klee e Miró. Picasso  e Matisse tinham uma sala cada um, totalmente dedicada à sua pintura. Também vimos uma obra original, mas inacabada, de Toulouse-Lautrec.

Voltámos ao Hotel por volta da 17.30, todos bastante cansados.Eu ainda aproveitei para dormir antes do jantar.

Hoje ficámos pelo Hotel e aproveitarmos para recuperar da noite mal dormida da viagem da noite anterior e da “andarilhação” do dia.

Manhã do dia 4 de Agosto.

A manhã inicia-se com a visita ao Túmulo de Lenine, na Praça Vermelha. Havia uma longa fila para entrar e muita segurança. O ambiente era pesado, e avisaram-nos que era proibido tirar fotografias e tínhamos de visitar o túmulo na máxima ordem e em silêncio. O interior do túmulo de mármore preto e vermelho é impressionante pela sobriedade e pela luz difusa. O corpo embalsamado de Lenine encontra-se no interior de uma vitrina, guardada por quatro soldados estáticos. É um ambiente pesado e solene. Parece a entrada de um túmulo egipcio. Ao que se diz, Lenine nunca quis este túmulo, preferindo ser enterrado junto da sua mãe. Contudo o culto da personalidade imposto por Stalin acabou por não respeitar o desejo do primeiro líder soviético.


À saída, ao ar livre, no seguimento do edifício do túmulo, passamos pelos túmulos de outrso líderes soviéticos, como os respectivos bustos. Lá estão Stalin, Brezenev, Tchernenko, Andropov, entre outros. Em gavetões junto aos muros do Kremelin estão outras personalidades ligadas à revolução ou aos feitos emblemáticos do regime, do escritor John Reds a Gagarin e outros astronautas.

Fomos depois vistar a Igreja de S. Nicolau, uma dos mais emblemáticos monumentos da praça vermelha, com as suas cúpulas coloridas. O interior está coberto de ícones pintados a fresco.

Almoçámos no Hotel Russia nessa mesma praça.

Depois do almoço dei uma volta a pé pelas redondezas da Praça Vermelha, bebi uma pepsi-cola num café, andei a ver os quiosques que vendem de tudo, idênticos a tantos outos  espalhados pela cidade. Apesar de inestéticos, são o embrião da crescente iniciativa privada permitida pela Perestroika e complementam as faltas que se fazem sentir nas lojas estatais.

Embrcamos depois numa viagem pelo rio Moskva (Moscovo), ficando com outros panorama da cidade. Embora as vistas nãos sejam tão interessantes como as que tivemos na viagem no rio de Kiev, observámos a existência de muitos espaços verdes, alguns cheios de gente que os utilizam com se fossem praias. Muita gente a circular pelos jardins desses espaços, em fato de banho, a apanhar sol ou a banhar-se no rio.

Voltámos ao Hotel para jantar e de seguida, com outras pessoas do grupo, fomos viajar de metros até a Praça Vermelha para a ver iluminada. É um belo espectáculo, com estrelas iluminadas, todos os edifícios cheios de luz e muita gente a passear.

Regressando ao Hotel. A televisão do quarto tem acesso a quatro canais. Num deles passa a série pirosa “O Barco do Amor”, dobrado em russo. Filmes e séries televisivas são dobradas, mas com uma característica diferente da que conhecemos.

 O som original e as conversas originais passam em fundo, e a dobragem é feita oralmente por cima do original, o que gera alguma confusão.

Hoje é domingo, 5 de Agosto de 1991 e é o nosso ultimo dia na União Soviética.

O dia é livre e resolvi aproveitar para visitar Moscovo por minha conta, usando o metro para me deslocar.

Tinha feito um roteiro com as estações de metro mais icaracteristicas e com as que íam ao lugares mais interessantes.

Comecei pelo metro que me levou às respectivas  casas museu Tolstoi e Puskin, pois ficam práticamente em frente uma da outra.

Tolstoi, o autor da Guerra e Paz, tem no museu com o seu nome vários objectos de uso pessoal, manuscritos, quadros e fotografias.

O mesmo sucede com a casa Pushkin, um poeta importante da União Soviética.

Os palacetes dessas casas-museu são bastante bonitos, com tectos ricamente cobertos de pinturas.

Depois dessa visita, aventurei-me sozinho para visitar 15 estações de metro eu tinha escolhido previamente.

O preço de cada viagem era uma pechincha, o que me permitia sair à rua, para observar as redondezas, e voltar para pagar outra viagem. Aqui não existe bilhete, entra-se no metro colocando uma moeda.

Num dos lugares onde sai à rua, deparei-me com o famoso edifício sede do KGB, com um ar algo sinistro.

Para me orientar, porque as indicações estavam todas em russo, tinha que perder algum tempo a comparar os nomes, letra a letra e depois procura a  linha correcta. E lá me desenrasquei.

Não há praticamente uma estação igual, todas ricamente  decoradas , uma espécie de catedrais subterrâneas, o orgulho dos moscovitas.

As estações dão quase todas coberta de mármore, com grandes candeeiros de belo design, algumas com pinturas em mosaico ou esculturas. As mais bonitas são as das estações de “Kiev” e “Leninegrado”.

Voltei a atravessar a pé a Praça Vermelha para ir almoçar ao Hotel Russia e, depois de me despedir dessa praça, que vou ver talvez pela última vez na minha vida, voltei a apanhar metro até à Rua Arbat, que percorri detrás para a frente várias vezes.

Aí voltei a encontrar de tudo. Muita gente a vender artesanato, entre o qual as célebres Matrioskas, das tradicionais à mais originais com temáticas várias, músicos a tocar vários tipos de instrumentos e géneros, artistas plásticos expondo e/ou vendendo os seus trabalhos (alguns, provavelmente, serão famosos daqui a uns anos..), acções de protesto contra a situação politica na União Soviética, muitos artistas a pintar retratos ao vivo, caricaturistas e, principalmente, muita gente, turistas ou não (hoje é Domingo).

É uma rua difícil de descrever, uma feira da ladra em ponto grande.

Nas ruas aparecem muitas pessoas a vender latas de caviar e garrafas de vodka. Comprei duas garrafas a uma velhota, com aspecto de camponesa. Só provei o vodka em Portugal e foi o melhor que até hoje provei.


O dia terminou com o regresso ao hotel e um jantar de despedida, com champagne e bebidas típicas da Rússia, incluindo ainda um espectáculo de folclore russo, com cossacos a dançar e a musica alegre típica destas paragens.

Amanhã levantamo-nos às 4 da manhã, saímos do Hotel por volta das 5 horas (três em Portugal) para irmos para o aeroporto para a viagem de regresso a Portugal.

Cheguei a Lisboa por volta da 11 horas da manhã  do dia  de Agosto de 1991 e, só aqui, fui incomodado pela policia que, no aeroporto, me mandou sair do grupo e me levou para um gabinete para revistar cuidadosamente a minha mala. Pensava que era por causa das garrafs de vodka que trazia, mas o problema deles era como os gorros russos, que foram revistados e revirados várias vezes. Finalmente deixaram-se sair….ero o belo país do “cavaquismo”…

Esta viagem não teria sido possível se não tivesse sido desafiado pelas minhas colegas e amigas Noémia Santos e Paula Viegas, com quem partilhei alguns dos momentos acima descritos.

No grupo, nós os três e o Carlos de Alcochete, que conheci na viagem, eramos os mais novos. O resto do grupo era composto por gente mais velha (talvez com a idade que tenho hoje, mas alguns a rondar os 80), algumas pessoas já tinham feito a viajem uns vinte anos antes.

O ambiente que se respirava entre as pessoas com que nos cruzámos na União Soviética era de mudança e esperança.

A liberdade começava a fazer o seu percurso e, se o caminho a fazer podia ter sido diferente, o que era evidente é que ninguém pretendia voltar para trás.

Foi isso que, cerca de 15 dias depois de termos deixado aquele país, um grupo de militares caquéticos e stalinistas não percebeu e, ao  tentar afastar Gosbachev do poder, apressou, com esse acto irresponsável, o fim de um regime que já não tinha fôlego para dar às pessoas uma vida melhor e digna.

A história daquele país deu, desde então muitas voltas, e hoje volta a viver um impasse.

A única certeza  é que o mundo que visitei naqueles dias de 1991 desapareceu de vez.

Ficam as recordações que, por aqui, com base num diário que então escrevi, tentei reproduzir o mais fiel possível à forma como senti esses momentos de pura descoberta, num mundo que era totalmente diferente do que conhecia até então.